Arquivo da tag: Sonhos

Benção da chuva

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abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
no crepúsculo que entoa
as cores da terra
do céu
e do ar
e o som da lua cheia
que me diz: voa
de pés no chão
sem sair do lugar
nessas paragens
banhadas de mar
abençoa, chuva, abençoa
essa planície latina
de frente pro atlântico
onde o riso
e a fala doce
escondem a real desse gente: o pânico
da dependência
de ogros malfeitores
descendentes de coronéis
e mãos dadas aos
colonizadores
exploradores locais
dos novos tempos
abençoa, chuva, abençoa
libere os caminhos
e aplaque o sofrimento
desse povo
que não vê caminhos
nem solução
se contenta com momentos
e migalhas de satisfação
abençoa, chuva, abençoa
e os permita voar
sem sair do lugar
a conhecer
testar
e saber
essa maldade
esse mal cheirar
é escolha a embarreirar
a dignidade que faz transformar
abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
libere os caminhos
e os permita voar

Por Bruno Pinheiro (31/08/2012)

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Obviedades

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Eu já falei
sobre inocência infantil
dentro dos puteiros
e sobre liberdade
aos trabalhadores da nação.

Eu já falei
da alegria de beber água
aqui onde ela é abundante
e da importância das árvores
aos povos da floresta sem floresta.

Eu já falei
da natureza em sua essência
para seres urbanos,
da infinitude do oceano
para os mentalmente ilhados.

Eu estou falando
de divisão aos egoístas
para salvá-los de si próprios
e sobre luz na escuridão
para fazer crer que as cores existem.

Eu estou falando
de injustiça aos injustos
como a luz no fim do túnel,
de verdade aos mentirosos
como a salvação de suas almas.

Eu estou falando
de gênese cognitiva
aos arautos do cartesianismo,
do ser e fazer autopoiético
aos discursionistas de plantão.

Eu falarei
sempre sobre o agora
aos fugidores do tempo real
e também de poder interno
aos adoradores da apoteose.

Eu falarei
sobre a invisível noosfera
aos que não se percebem em comunidades
e de felicidade plena
aos incautos e dominados.

Eu falarei.
Tentarei não ser,
mas serei sempre óbvio.

Sonho inspirado

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Quero um abraço apertado
Um beijo molhado
Meu coração é teu

Saudade corta dobrado
Vem lá do fundo
Meu coração é teu

Me venha com grande sorriso
Olho no olho
De braços abertos

Viva sempre comigo
Eternamente amigos
Nunca menos que perto

Hoje sonhei com você
e este poema
é só pra contar.

Que acordar contigo do lado
Dá colorido pro dia
Este é o meu sonhar.

(escrito em 27 de agosto, para uma pessoa especial)

Protagonismo Político Feminino

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Protagonismo Político Feminino

A parceira Liliana Peixinho me enviou pelo Facebook um artigo dela publicado na Envolverde há alguns dias. Resolvi publicar aqui pois é um texto que contribui bastante para refletirmos sobre o nosso processo eleitoral em curso, levando em conta, claro, o contexto atual de crise planetária e de um necessário salto no nosso nível de consciência. Leiam com prazer!

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Por Liliana Peixinho*

A luta da mulher pela conquista de espaço, reconhecimento, direitos e inserção social acompanha o próprio desenvolvimento humano. Muito se conquistou, com certeza, com sangue, suor e lágrimas. Mídia, movimentos sociais, coletivos de trabalhadoras e a própria instituição familiar estão sempre a destacar a luta da mulher como pessoa, ser humano, mãe, trabalhadora, amiga e os mais diversos e infinitos papéis que a mulher sempre esteve, está e estará fadada a desempenhar na construção de novas civilizações. Socializar a essa discussão com ações cotidianas, focar desafios e mudanças para uma Economia circular, cidadã, sustentável é uma nova pauta na velha luta pela preservação da Vida. Leia o resto deste post

A árvore e a balança

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É um sorriso que brilha oculto, um grito mudo
e tem garras afiadas para moldar o vento
contra o tempo que mecaniza o rebento.

É a árvore e a balança em alvoroço,
a tristeza da luz que reflete o martírio
a lucidez que ainda resta em meio ao delírio.

Sabe de dilúvios anunciados
e quer saber das arcas que vão boiar.
Guarda no bolso o Sol da manhã,
preparado para a noite que está a baixar.

Se inspira nas coloridas asas da borboleta,
quer fazer o desprezível brilhar.
Costurará enigmas no oceano
como arraias no fundo de areia a se camuflar.

É um bípede tencendo teias,
apontando a cada arca o seu orvalho,
ensinando que cada gota é como um galho.

É a árvore e a balança em alvoroço,
a tristeza da luz que reflete o martírio
a lucidez que ainda resta em meio ao delírio.

Jardineiro da vida e da justiça,
planta mas não verá a árvore crescer.
Rega todo dia sem preguiça
a nova sociedade que está a florescer.

Sabe de dilúvios anunciados
e quer saber das arcas que vão boiar.
Guarda no bolso o Sol da manhã,
preparado para a noite que está a baixar.

Das raízes às flores (resgate do poema)

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Das raízes às flores (resgate do poema)

Os recentes casos de alagamentos em Pernambuco e Alagoas, as tristes imagens e as sofríveis declarações, apontam para tamanha falta de ética que espanta. Casas na beira dos rios, ocupações provavelmente estimuladas pelos processos eleitorais, pelo desenvolvimento econômico das regiões, à margem (litralmente) da qualidade de vida e do respeito aos ciclos ecológicos. E me fez lembrar do poema “Das raízes às flores“, que escrevi no ano passado. A falta de ética ataca a estética e faz da nossa sociedade esta coisa patética.

Segue abaixo:

Das Raízes às Flores (ago/2009)

Da raiz às pétalas
um tronco espinhudo.
Em cada espinho
uma agrura solitária
de impulsos mudos.

Tropeços pelo caminho,
daqueles que mudam o mundo.
São agruras solitárias
conectadas pelo cerne
de uma flor aromática.

Cada ramo, uma flor.
Até elas os espinhos
podem furar ou ferir.

Cada flor, várias pétalas.
Formando o composto
aromático e visual.

É estética e ética
das raízes às flores.
Em ramos diferentes
com espinhos no caminho
e uma complexidade de valores.

Imagine se só
de um ramo ou de uma pétala
fosse feita a flor,
fosse forjado odor
ou construído o amor.

Imagine então
a felicidade como flores
e a alegria como pétalas.
A sinergia como as cores
e a vontade como o néctar.

Como o brilho de um cristal
visto por uma águia
que manifesta valores.
É estética e ética
das raízes às flores.