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Uma leitura da sociedade civil brasileira rumo a Rio + 20

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Toda tentativa de enquadramento fatalmente se debaterá com o sério risco do reducionsimo. Ainda mais uma análise de contexto tão complexo como a atual conjuntura em que se encontram os movimentos sociais em termos de articulação e posicionamentos no processo da Rio + 20.

Muitos fatores, inúmero elementos compõem esta conjuntura e esta mapa certamente deixa dimensões fora de esquadro. É claro, há intersecções entre o campos destacados acima, as fronteiras não são exatamente fronteiras.

Mas há demarcações e, ciente dos riscos, o esforço assim mesmo foi feito, considerando que há conflitos não percebidos e questões não explicitadas por falta de clareza do terreno. Conflitos estes que perpassam o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio + 20 e correm risco de aumentar a fragmentação da luta que faz parte da conjuntura atual.

O objetivo é que esta leitura contribua para a uma melhor visualização de contexto, de forma que tenhamos todos maior clareza de onde se pisa e de com quem se fecham acordos.

Aqui não abordo as limitações que influenciam os posicionamentos dos campos. Pretendo em breve publicar mais elementos da análise que está por trás deste mapa. Por hora, peço ajuda para aperfeiçoar esta leitura.

Uma microfísica da Rio+20

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Tenho visto com muito bons olhos e defendido o simbolismo da autolegitimação dos movimentos sociais no que tange o processo da Rio + 20,  a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Principalmente porque este olhar tem a mira para o pós Rio+20.

No comecinho do livro Microfísica do Poder, Foucalt comenta sobre as limitações autoimpostas pelos pensadores comunistas franceses por sua própria perspectiva guia: “o problema dos intelectuais marxistas na França − e nisto desempenhavam o papel que lhes era prescrito pelo P.C.F. − era de se fazer reconhecer pela instituição universitária e pelo establishment; portanto, deviam colocar as mesmas questões que eles, tratar dos mesmos problemas e dos mesmos domínios”.

Levando em consideração tudo o que representa a Rio + 20, o caso do intelectuais franceses ilustra bem a situação atual em que se encontra boa parte dos intelectuais, das lideranças e militantes envolvidos nas discussões. Estão se limitando a aparar arestas e (ao fracasso da COP 15 sobre Mudança no Clima), o que é necessário, mas muito menos importante que fortalecer as novas ferramentas e perspectivas emergentes.

Edgar Morin foi maneiro pacas quando avisou que nenhuma solução pode ser criada pela mesma lógica que criou o problema e agora quase ninguém dá atenção pro conselho do cabra!

É necessário assumir no âmbito da sociedade uma nova agenda global, autônoma, auto-legitimada pelos povos. Esta agenda é com certeza totalmente diferente da que a ONU media.

O que já foi apropriado, já foi! A Economia será verdinha e a governança internacional, ambiental e contra a pobreza. Não há como avançar nisto, mas há como avançar para além disto.