Arquivo da tag: Resistência

Palavras ao infinito

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O brilho do Sol pela vida escorre
a materialidade do viver em ser.
A pertinência do instante
por toda a realidade:
Se cria. Se vive. Se assume.
A inconstância do ser
na plenitude da entrega:
Se sente. Se dói. Se consome.
Não como comódite, mercadoria.
Nem cancerígenos todo dia.
Como queria… como queria.
Respiro, ingiro, mastigo.
Engulo um jardim de fé e poesias
e purifico meu abrigo encantado.
Por mais que pareça doente
o alimento da alma da gente
não desisto de lutar, palavrear, manifestar.
Quando chega a hora, o dia corre
deixando para trás o amanhecer.
Quem não resguarda o infinito
não vivencia o anoitecer.

(Bruno Pinheiro – 14/3/12)

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A cidade respira: expressão!

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Esta semana apagaram um grafite pintado pelo skatista Anselmo Arruda em Itanhaém, no viaduto da CESP da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Com os dizeres “A pedra que canta também chora” a arte tocou na ferida do governo municipal. Para este carnaval, foram pagos mais de R$ 2 milhões em recursos públicos para a Escola de Samba Pérola Negra levar Itanhaém ao sambódromo com o tema “A pedra que canta também encanta”.

Em outras palavras, trata-se de censura a uma manifestação artística que, como tal, não nega seu posicionamento político. Um posicionamento político não partidário que contrapõe atos da prefeitura, feito em lugar público a fim de estimular reflexões. Isto é guerra de mídia, não se enganem. Opressão á mídia popular.

Escrevi este poema que está a seguir em apoio aos grafiteiros de Itanhaém. Com criatividade e crítica afiada, a galera tem se apropriado de espaços públicos com objetivos claros: mostrar sua arte para surpreender e fazer pensar.

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A cidade respira: expressão!

Ei você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que o seu saber reparte.
Diz o que pensa,
sem medo de se arrepender.
Vender a alma não compensa,
um dia eles vão ver.
Se apegam a privilégios
e temem a realidade.
Oprimem sua criação
porque invejam sua liberdade.
Apagam seus dizeres
porque relatam outras verdades.
Você não é uma besta analítica.
Eles é que são mentes velhas e paralíticas.
Falam frases bonitas, de impacto,
como se o bem comum estivesse intacto.
Ei Você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que com o meio urbano interage.
Tentarão lhe oprimir
e sua arte diminuir.
Escancare o que é subversão
e pinte por toda a cidade.
Mensagens do coração,
relate outras verdades.
A cidade canta e também chora.
Enquanto uns sambam, um monte implora.
Use o melhor de sua poesia,
mostre que a cidade também respira.
(Bruno Pinheiro – 16-02-2012)

Uma microfísica da Rio+20

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Tenho visto com muito bons olhos e defendido o simbolismo da autolegitimação dos movimentos sociais no que tange o processo da Rio + 20,  a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Principalmente porque este olhar tem a mira para o pós Rio+20.

No comecinho do livro Microfísica do Poder, Foucalt comenta sobre as limitações autoimpostas pelos pensadores comunistas franceses por sua própria perspectiva guia: “o problema dos intelectuais marxistas na França − e nisto desempenhavam o papel que lhes era prescrito pelo P.C.F. − era de se fazer reconhecer pela instituição universitária e pelo establishment; portanto, deviam colocar as mesmas questões que eles, tratar dos mesmos problemas e dos mesmos domínios”.

Levando em consideração tudo o que representa a Rio + 20, o caso do intelectuais franceses ilustra bem a situação atual em que se encontra boa parte dos intelectuais, das lideranças e militantes envolvidos nas discussões. Estão se limitando a aparar arestas e (ao fracasso da COP 15 sobre Mudança no Clima), o que é necessário, mas muito menos importante que fortalecer as novas ferramentas e perspectivas emergentes.

Edgar Morin foi maneiro pacas quando avisou que nenhuma solução pode ser criada pela mesma lógica que criou o problema e agora quase ninguém dá atenção pro conselho do cabra!

É necessário assumir no âmbito da sociedade uma nova agenda global, autônoma, auto-legitimada pelos povos. Esta agenda é com certeza totalmente diferente da que a ONU media.

O que já foi apropriado, já foi! A Economia será verdinha e a governança internacional, ambiental e contra a pobreza. Não há como avançar nisto, mas há como avançar para além disto.

Um “desconvite” aos caiçaras

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O desabafo de uma liderança caiçara do litoral sul de São Paulo rodou recentemente pelas listas de discussão das redes e movimentos socioambientais e reativou uma discussão de longa data: o modus operandi das chamadas King ONGs na relação com as pequenas organizações, com os movimentos e com as comunidades.

Quem enviou o e-mail para as listas foi Dauro Marcos do Prado, presidente da União dos Moradores da Juréia, região onde comunidades caiçaras há quase 25 anos enfrentam as restrições impostas ao seu modo de vida após a criação de uma unidade de conservação. O recado é direcionado à ONG SOS Mata Atlântica, famosa na sociedade em geral por sua atuação em defesa do bioma e conhecida no meio do terceiro setor também por omissões em embate contra empreendimentos de grande porte. Leia o resto deste post

Passagem a R$ 3,00 e polícia oprime manifestação – veja o vídeo

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Num país autosuficiente em Petróleo como o Brasil, pensar em uma passagem de ônibus a R$ 3,00 soa que nem brincadeira de muito mal gosto. Mas é exatamente este o preço do transporte coletivo na cidade de São Paulo desde o dia 5 de janeiro, quando passou a ser nada menos que o mais caro do país.

Estou com os irmãos do Movimento Passe Livre. Leia o resto deste post

Obviedades

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Eu já falei
sobre inocência infantil
dentro dos puteiros
e sobre liberdade
aos trabalhadores da nação.

Eu já falei
da alegria de beber água
aqui onde ela é abundante
e da importância das árvores
aos povos da floresta sem floresta.

Eu já falei
da natureza em sua essência
para seres urbanos,
da infinitude do oceano
para os mentalmente ilhados.

Eu estou falando
de divisão aos egoístas
para salvá-los de si próprios
e sobre luz na escuridão
para fazer crer que as cores existem.

Eu estou falando
de injustiça aos injustos
como a luz no fim do túnel,
de verdade aos mentirosos
como a salvação de suas almas.

Eu estou falando
de gênese cognitiva
aos arautos do cartesianismo,
do ser e fazer autopoiético
aos discursionistas de plantão.

Eu falarei
sempre sobre o agora
aos fugidores do tempo real
e também de poder interno
aos adoradores da apoteose.

Eu falarei
sobre a invisível noosfera
aos que não se percebem em comunidades
e de felicidade plena
aos incautos e dominados.

Eu falarei.
Tentarei não ser,
mas serei sempre óbvio.