Arquivo da tag: Realidade cósmica

Agora…

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Disseram que o tempo
rebento
Acorrentou o agora
em toda hora
e fez de cada momento
a luz daquele que ora
uma junção cósmica
que chora a liberdade

Apareceu daquele jeito
maneiro
Abocanhou o ar que surgiu
e depois fugiu
Ficou marcado pra sempre
desde que partiu
sem ir a lugar nenhum
é onipresente

É dono do barulho apito
conflito
Assopra o delírio
ao martírio
Rumo da eternidade,
sentido colírio
que é sempre a mesma
e nunca se acaba

Tem no simples e belo
singelo
Agora pra deixar de sofrer
e se perceber
É esfera, espiral e teia
para então ver
os ciclos do eu
aos poucos reciclar

Quer o vento que encerra
e acelera
No papel de espalhar
o medo de amar
segue caminho
O tempo rebento espera
o coração pediu
fugir sem parar de bater

Agora…
Agora…
Agora…

Bruno Pinheiro (16/5/2012)

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O vento traz

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O vento chegou e sorriu
ao lamber as bordas da imagem
da película em movimento.
Maleável, se adapta no deslize
às rugas duma face pensativa.
Trouxe a água que escorreu pelos rochedos
e adentrou nas fissuras do aquífero
que faz brotar o rio da minha vida.
Passa o tempo em forma de percepções,
cria a vida na interação das esferas,
aprendendo em comunidade.
É de geração em geração…

A árvore e a balança

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É um sorriso que brilha oculto, um grito mudo
e tem garras afiadas para moldar o vento
contra o tempo que mecaniza o rebento.

É a árvore e a balança em alvoroço,
a tristeza da luz que reflete o martírio
a lucidez que ainda resta em meio ao delírio.

Sabe de dilúvios anunciados
e quer saber das arcas que vão boiar.
Guarda no bolso o Sol da manhã,
preparado para a noite que está a baixar.

Se inspira nas coloridas asas da borboleta,
quer fazer o desprezível brilhar.
Costurará enigmas no oceano
como arraias no fundo de areia a se camuflar.

É um bípede tencendo teias,
apontando a cada arca o seu orvalho,
ensinando que cada gota é como um galho.

É a árvore e a balança em alvoroço,
a tristeza da luz que reflete o martírio
a lucidez que ainda resta em meio ao delírio.

Jardineiro da vida e da justiça,
planta mas não verá a árvore crescer.
Rega todo dia sem preguiça
a nova sociedade que está a florescer.

Sabe de dilúvios anunciados
e quer saber das arcas que vão boiar.
Guarda no bolso o Sol da manhã,
preparado para a noite que está a baixar.

Das raízes às flores (resgate do poema)

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Das raízes às flores (resgate do poema)

Os recentes casos de alagamentos em Pernambuco e Alagoas, as tristes imagens e as sofríveis declarações, apontam para tamanha falta de ética que espanta. Casas na beira dos rios, ocupações provavelmente estimuladas pelos processos eleitorais, pelo desenvolvimento econômico das regiões, à margem (litralmente) da qualidade de vida e do respeito aos ciclos ecológicos. E me fez lembrar do poema “Das raízes às flores“, que escrevi no ano passado. A falta de ética ataca a estética e faz da nossa sociedade esta coisa patética.

Segue abaixo:

Das Raízes às Flores (ago/2009)

Da raiz às pétalas
um tronco espinhudo.
Em cada espinho
uma agrura solitária
de impulsos mudos.

Tropeços pelo caminho,
daqueles que mudam o mundo.
São agruras solitárias
conectadas pelo cerne
de uma flor aromática.

Cada ramo, uma flor.
Até elas os espinhos
podem furar ou ferir.

Cada flor, várias pétalas.
Formando o composto
aromático e visual.

É estética e ética
das raízes às flores.
Em ramos diferentes
com espinhos no caminho
e uma complexidade de valores.

Imagine se só
de um ramo ou de uma pétala
fosse feita a flor,
fosse forjado odor
ou construído o amor.

Imagine então
a felicidade como flores
e a alegria como pétalas.
A sinergia como as cores
e a vontade como o néctar.

Como o brilho de um cristal
visto por uma águia
que manifesta valores.
É estética e ética
das raízes às flores.

Cultura digital em prol da cultura tradicional

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Capa do portal indígena

Na aldeia Pataxó Hãhãhãe de Águas Vermelhas, na Bahia, recentemente foi instalada conexão à internet, fato muito comemerado pelos beneficiados. Mas durante oficina de produção de textos, imagens e vídeos para a WEB, entretanto, eles anunciam que o único computador disponível não é suficiente para ensinar a quantidade de índios interessados no letramento digital.

As informações acima são apresentadas no “Índios Online – Um portal de diálogo intercultural“, juntamente com outros vídeos e textos que debatem e difundem denúncias, violência, saúde, o fortalecimento cultural indígena etc. Ao todo, sete comunidades indígenas do nordeste brasileiro estão envolvidas no projeto: Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe, Tumbalalá na Bahia, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó em Alagoas e os Pankararu em Pernambuco. Leia o resto deste post

Cada qual com seu ano novo

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Liberte-se dos ponteiros. Viva e esteja no seu tempo natural

Mais um ano gregoriano acabou e outro começou. Aqui no litoral, todos na praia aguardaram a meia-noite como se a vida fosse mudar após o relógio demonstrar que outro ano começou.

E me pergunto: por que o ano termina 31 de dezembro e começa 1° de janeiro para todo mundo? Como em todas, algo de muito estranho nesta convenção.

Falar de ano é fazer referência a um ciclo: o movimento de translação. A dança de 365 giros de Gaia sobre o próprio eixo enquanto dá uma volta no Sol, como que em reverência à criação. Uma dança que na verdade nunca termina, recomeça…

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