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Uma leitura da sociedade civil brasileira rumo a Rio + 20

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Toda tentativa de enquadramento fatalmente se debaterá com o sério risco do reducionsimo. Ainda mais uma análise de contexto tão complexo como a atual conjuntura em que se encontram os movimentos sociais em termos de articulação e posicionamentos no processo da Rio + 20.

Muitos fatores, inúmero elementos compõem esta conjuntura e esta mapa certamente deixa dimensões fora de esquadro. É claro, há intersecções entre o campos destacados acima, as fronteiras não são exatamente fronteiras.

Mas há demarcações e, ciente dos riscos, o esforço assim mesmo foi feito, considerando que há conflitos não percebidos e questões não explicitadas por falta de clareza do terreno. Conflitos estes que perpassam o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio + 20 e correm risco de aumentar a fragmentação da luta que faz parte da conjuntura atual.

O objetivo é que esta leitura contribua para a uma melhor visualização de contexto, de forma que tenhamos todos maior clareza de onde se pisa e de com quem se fecham acordos.

Aqui não abordo as limitações que influenciam os posicionamentos dos campos. Pretendo em breve publicar mais elementos da análise que está por trás deste mapa. Por hora, peço ajuda para aperfeiçoar esta leitura.

A cidade respira: expressão!

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Esta semana apagaram um grafite pintado pelo skatista Anselmo Arruda em Itanhaém, no viaduto da CESP da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Com os dizeres “A pedra que canta também chora” a arte tocou na ferida do governo municipal. Para este carnaval, foram pagos mais de R$ 2 milhões em recursos públicos para a Escola de Samba Pérola Negra levar Itanhaém ao sambódromo com o tema “A pedra que canta também encanta”.

Em outras palavras, trata-se de censura a uma manifestação artística que, como tal, não nega seu posicionamento político. Um posicionamento político não partidário que contrapõe atos da prefeitura, feito em lugar público a fim de estimular reflexões. Isto é guerra de mídia, não se enganem. Opressão á mídia popular.

Escrevi este poema que está a seguir em apoio aos grafiteiros de Itanhaém. Com criatividade e crítica afiada, a galera tem se apropriado de espaços públicos com objetivos claros: mostrar sua arte para surpreender e fazer pensar.

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A cidade respira: expressão!

Ei você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que o seu saber reparte.
Diz o que pensa,
sem medo de se arrepender.
Vender a alma não compensa,
um dia eles vão ver.
Se apegam a privilégios
e temem a realidade.
Oprimem sua criação
porque invejam sua liberdade.
Apagam seus dizeres
porque relatam outras verdades.
Você não é uma besta analítica.
Eles é que são mentes velhas e paralíticas.
Falam frases bonitas, de impacto,
como se o bem comum estivesse intacto.
Ei Você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que com o meio urbano interage.
Tentarão lhe oprimir
e sua arte diminuir.
Escancare o que é subversão
e pinte por toda a cidade.
Mensagens do coração,
relate outras verdades.
A cidade canta e também chora.
Enquanto uns sambam, um monte implora.
Use o melhor de sua poesia,
mostre que a cidade também respira.
(Bruno Pinheiro – 16-02-2012)

Uma microfísica da Rio+20

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Tenho visto com muito bons olhos e defendido o simbolismo da autolegitimação dos movimentos sociais no que tange o processo da Rio + 20,  a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Principalmente porque este olhar tem a mira para o pós Rio+20.

No comecinho do livro Microfísica do Poder, Foucalt comenta sobre as limitações autoimpostas pelos pensadores comunistas franceses por sua própria perspectiva guia: “o problema dos intelectuais marxistas na França − e nisto desempenhavam o papel que lhes era prescrito pelo P.C.F. − era de se fazer reconhecer pela instituição universitária e pelo establishment; portanto, deviam colocar as mesmas questões que eles, tratar dos mesmos problemas e dos mesmos domínios”.

Levando em consideração tudo o que representa a Rio + 20, o caso do intelectuais franceses ilustra bem a situação atual em que se encontra boa parte dos intelectuais, das lideranças e militantes envolvidos nas discussões. Estão se limitando a aparar arestas e (ao fracasso da COP 15 sobre Mudança no Clima), o que é necessário, mas muito menos importante que fortalecer as novas ferramentas e perspectivas emergentes.

Edgar Morin foi maneiro pacas quando avisou que nenhuma solução pode ser criada pela mesma lógica que criou o problema e agora quase ninguém dá atenção pro conselho do cabra!

É necessário assumir no âmbito da sociedade uma nova agenda global, autônoma, auto-legitimada pelos povos. Esta agenda é com certeza totalmente diferente da que a ONU media.

O que já foi apropriado, já foi! A Economia será verdinha e a governança internacional, ambiental e contra a pobreza. Não há como avançar nisto, mas há como avançar para além disto.

Um “desconvite” aos caiçaras

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O desabafo de uma liderança caiçara do litoral sul de São Paulo rodou recentemente pelas listas de discussão das redes e movimentos socioambientais e reativou uma discussão de longa data: o modus operandi das chamadas King ONGs na relação com as pequenas organizações, com os movimentos e com as comunidades.

Quem enviou o e-mail para as listas foi Dauro Marcos do Prado, presidente da União dos Moradores da Juréia, região onde comunidades caiçaras há quase 25 anos enfrentam as restrições impostas ao seu modo de vida após a criação de uma unidade de conservação. O recado é direcionado à ONG SOS Mata Atlântica, famosa na sociedade em geral por sua atuação em defesa do bioma e conhecida no meio do terceiro setor também por omissões em embate contra empreendimentos de grande porte. Leia o resto deste post

Recomeça o debate sobre a horizontalização de Itanhaém

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Amigos, vejam a opinião do jornalista André Caldas, do Jornal Fatos de Itanhaém, sobre a verticalização (construção de prédios gigantescos). Separo dois trechos do artigo e os comento em seguida:

‎1. É um debate antigo, que já provocou discussões acaloradas e gerou um arremedo de lei que afastou daqui, há doze anos, muitos investidores Leia o resto deste post

Participação no programa Conexão Futura

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Na terça-feira participei do Programa Conexão Futura, do Canal Futura. A proposta do programa é bastante interessante, buscando vincular na grade ações tematicamente articuladas e colocá-las para dialogar.

Nos blocos em que participei conversamos sobre a integração entre esporte, educação e meio ambiente, por meio da experiência da Ecosurfi com o Movimento Surfe Sustentável.

Batemos um papo rápido também sobre o projeto Rio do Nosso Bairro, pelo qual realizaremos no próximo sábado a I Conferência Infanto-Juvenil de Escolas Cuidando da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista.

Afora a auto-crítica (hahaha) e o pequenismo de uns por aí (rerere) foi da hora!

Conexão Futura – 23/11/2010 – Parte 1

Conexão Futura – 23/11/2010 – Parte 2