Quem defende a criminalização das drogas…

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Hoje pela manhã saiu no Estadão. Em entrevista, o diplomata Miguel D’arcy, coordenador do secretariado da Comissão Global de Políticas Sobre Drogas falou sobre a posição da Comissão a respeito da famosa “guerra às drogas”.

Pincelei algumas afirmações suas para compartilhar aqui. Não sou eu quem está dizendo, é o Miguel, mas não me canso de repetir estas coisas:

  • “A política repressiva traz consigo um aumento no poder do narcotráfico, violações de direitos humanos e o enfraquecimento da governança democrática”
  • “É preciso mudar a perspectiva moralista e focar em uma visão de saúde pública.”
  • “A revista Lancet, uma publicação científica reconhecida, fez uma hierarquia de drogas lícitas e ilícitas. O tabaco e álcool foram classificados como mais nocivos que a maconha”
  • “É preciso entender que O GRANDE BENEFICIÁRIO DA POLÍTICA PROIBITIVA É O TRAFICANTE”

Em síntese, quem defende a criminalização das drogas… corre junto dos traficantes.

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A cidade respira: expressão!

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Esta semana apagaram um grafite pintado pelo skatista Anselmo Arruda em Itanhaém, no viaduto da CESP da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Com os dizeres “A pedra que canta também chora” a arte tocou na ferida do governo municipal. Para este carnaval, foram pagos mais de R$ 2 milhões em recursos públicos para a Escola de Samba Pérola Negra levar Itanhaém ao sambódromo com o tema “A pedra que canta também encanta”.

Em outras palavras, trata-se de censura a uma manifestação artística que, como tal, não nega seu posicionamento político. Um posicionamento político não partidário que contrapõe atos da prefeitura, feito em lugar público a fim de estimular reflexões. Isto é guerra de mídia, não se enganem. Opressão á mídia popular.

Escrevi este poema que está a seguir em apoio aos grafiteiros de Itanhaém. Com criatividade e crítica afiada, a galera tem se apropriado de espaços públicos com objetivos claros: mostrar sua arte para surpreender e fazer pensar.

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A cidade respira: expressão!

Ei você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que o seu saber reparte.
Diz o que pensa,
sem medo de se arrepender.
Vender a alma não compensa,
um dia eles vão ver.
Se apegam a privilégios
e temem a realidade.
Oprimem sua criação
porque invejam sua liberdade.
Apagam seus dizeres
porque relatam outras verdades.
Você não é uma besta analítica.
Eles é que são mentes velhas e paralíticas.
Falam frases bonitas, de impacto,
como se o bem comum estivesse intacto.
Ei Você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que com o meio urbano interage.
Tentarão lhe oprimir
e sua arte diminuir.
Escancare o que é subversão
e pinte por toda a cidade.
Mensagens do coração,
relate outras verdades.
A cidade canta e também chora.
Enquanto uns sambam, um monte implora.
Use o melhor de sua poesia,
mostre que a cidade também respira.
(Bruno Pinheiro – 16-02-2012)

Curta ajuda a popularizar luta pelo direito à comunicação no Brasil

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Aquele que não se apropria politicamente dos meios de comunicação, a começar por sua própria língua, como diria Paulo Freire, padece nas mãos dos tiranos.

Nesta criativa produção inspirada no clássico “Ilha das Flores”, do consagrado Jorge Furtado, o Intervozes Coletivo  Brasil de Comunicação apresenta de uma forma extremamente clara a estrutura oligárquica da propriedade dos meios de comunicação do Brasil.

Feito com apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, este curta contribui com a luta pela democratização da comunicação. Com linguagem acessível e utilizando o recursos de colocar a situação na perspectiva do brasileiro comum, ele permite a popularização de um tema que muitas vezes fica restrito aos interessados diretos na produção e transmissão comunicativa.

São só 17min, vale a pena assistir.

Manual rápido do Estado idiotizador para uma Idiocracia Plena

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1 – Acabar com a educação de qualidade
2 – Dar oportunidades para poucos
3 – Criar uma mídia inútil
4 – Garantir um sistema de saúde horrível
5 – Cobrar altos impostos
6 – Garantir a impunidade
7 – Tudo tem que funcionar mal ou não funcionar
8 – Promover o desemprego
9 – Jamais investir em tecnologia
10 – Empregar mágicos (pessoas que dupliquem sua renda em poucos anos) no governo

Seguindo estes passos, de acordo com o autor do vídeo, qualquer elitizinha consegue dominar a estrutura do Estado e manter seus privilégios.

Assista o video e entenda melhor o passo a passo.

Sorriso de dentro

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O poeta que nasce em mim
só quer saber de brincar.
Ele e óbvio, óbvio.
Só quer saber de criar.
Ele brinca de criador
só para criar brincadeiras
e cria muito, apenas por ato falho.
Alegria: meu subconsciente.

(Voltando da oficina de agricultura urbana, na ONG Camará – 04/10/11)

Uma microfísica da Rio+20

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Tenho visto com muito bons olhos e defendido o simbolismo da autolegitimação dos movimentos sociais no que tange o processo da Rio + 20,  a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Principalmente porque este olhar tem a mira para o pós Rio+20.

No comecinho do livro Microfísica do Poder, Foucalt comenta sobre as limitações autoimpostas pelos pensadores comunistas franceses por sua própria perspectiva guia: “o problema dos intelectuais marxistas na França − e nisto desempenhavam o papel que lhes era prescrito pelo P.C.F. − era de se fazer reconhecer pela instituição universitária e pelo establishment; portanto, deviam colocar as mesmas questões que eles, tratar dos mesmos problemas e dos mesmos domínios”.

Levando em consideração tudo o que representa a Rio + 20, o caso do intelectuais franceses ilustra bem a situação atual em que se encontra boa parte dos intelectuais, das lideranças e militantes envolvidos nas discussões. Estão se limitando a aparar arestas e (ao fracasso da COP 15 sobre Mudança no Clima), o que é necessário, mas muito menos importante que fortalecer as novas ferramentas e perspectivas emergentes.

Edgar Morin foi maneiro pacas quando avisou que nenhuma solução pode ser criada pela mesma lógica que criou o problema e agora quase ninguém dá atenção pro conselho do cabra!

É necessário assumir no âmbito da sociedade uma nova agenda global, autônoma, auto-legitimada pelos povos. Esta agenda é com certeza totalmente diferente da que a ONU media.

O que já foi apropriado, já foi! A Economia será verdinha e a governança internacional, ambiental e contra a pobreza. Não há como avançar nisto, mas há como avançar para além disto.