Benção da chuva

Padrão

abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
no crepúsculo que entoa
as cores da terra
do céu
e do ar
e o som da lua cheia
que me diz: voa
de pés no chão
sem sair do lugar
nessas paragens
banhadas de mar
abençoa, chuva, abençoa
essa planície latina
de frente pro atlântico
onde o riso
e a fala doce
escondem a real desse gente: o pânico
da dependência
de ogros malfeitores
descendentes de coronéis
e mãos dadas aos
colonizadores
exploradores locais
dos novos tempos
abençoa, chuva, abençoa
libere os caminhos
e aplaque o sofrimento
desse povo
que não vê caminhos
nem solução
se contenta com momentos
e migalhas de satisfação
abençoa, chuva, abençoa
e os permita voar
sem sair do lugar
a conhecer
testar
e saber
essa maldade
esse mal cheirar
é escolha a embarreirar
a dignidade que faz transformar
abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
libere os caminhos
e os permita voar

Por Bruno Pinheiro (31/08/2012)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s