Sobre o ano novo (dias novos)

Padrão

Uma manhã que se achega
uma espreguiçada
A tarde do obreiro
o cansaço que amassa
A noite depois da peleja
o bocejo que agraça
Os sonhos que vêm
a esperança não passa
Mais um dia que tem
é trabalho na raça
Dívidas que amontoam
o orçamento arregaça
Entra ano e sai ano
no tilintar das taças
É tempo que apressa
a vida na praça
Realidade que assola
não muda, repassa
Se é pobre de dinheiro
não é pobre, é massa
Justiça não se enerva
nem se cria, se caça
Pra espantar os males
uma dose de cachaça
Paz e amor no coração
é susto à desgraça
Perseverança nas mãos
conquistas em graça.

Anúncios

Cargos de alto escalão, só para estrangeiros

Padrão

Saiu na Folha OnLine: Brasil prepara plano para ampliar mão de obra estrangeira. O plano de longo prazo anunciado pela Secretaria de Assuntos Estratégico do governo tem em vistas abrir o mercado brasileiro a trabalhadores estrangeiros, a fim de suprir a demanda por mão de obra qualificada em diversos setores.

A expectativa é adotar uma série de medidas facilitadoras, expandir o mercado nacional e passar de 1,5% de “estrangeiros qualificados” no país a pelo menos 3% num prazo de 20 anos. São medidas como permitir que estrangeiros sem trabalho garantido possam vir prospectar emprego no país, facilitar a burocracia de admissão e permitir que familiares de estrangeiros que trabalham no Brasil possam aqui trabalhar também.

Nada contra estrangeiros virem trabalhar no Brasil e, realmente, há muita burocracia que necessita ser aperfeiçoada. Mas isso enquanto prioridade estratégica, política de governo que, como bem sabemos, mantem a progressão continuada – medida que embora contribua à redução da evasão escolar também contribui para enraízar o analfabetismo funcional – e que tem precarizado a educação universitária com um sem número de ações privatistas, é prioridade a se pensar.

A se pensar pois facilitar a entrada de estrangeiros para que ocupem cargos de alto escalão no Brasil, neste contexto, nada mais é que um novo plano de longo prazo sobre como arreganhar mais ainda as pernas da nação. Enquanto nossa educação for incapaz de preparar brasileiros em larga escala para ocupar cargos de alto escalão neste mercado no qual a inteligência e criatividade são cada vez mais cruciais, a abertura do nosso mercado a trabalhadores de fora não passa disso.

Em 20 anos dá pra formar uma quantidade enorme de brasileiros muito bem qualificados caso haja investimentos reais e sólidos, de Estado, na EDUCAÇÃO e na CULTURA BRASILEIRAS.

Esta sim é uma das principais prioridades para acabar com o problema da falta de mão de obra qualificada no Brasil, alavancar o verdadeiro e necessário desenvolvimento e, não só, mas também e sobretudo, para reduzir as elefantosas desigualdades que reinam nesta república federativa e com ela a elevada criminalidade que nos assola.

Benção da chuva

Padrão

abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
no crepúsculo que entoa
as cores da terra
do céu
e do ar
e o som da lua cheia
que me diz: voa
de pés no chão
sem sair do lugar
nessas paragens
banhadas de mar
abençoa, chuva, abençoa
essa planície latina
de frente pro atlântico
onde o riso
e a fala doce
escondem a real desse gente: o pânico
da dependência
de ogros malfeitores
descendentes de coronéis
e mãos dadas aos
colonizadores
exploradores locais
dos novos tempos
abençoa, chuva, abençoa
libere os caminhos
e aplaque o sofrimento
desse povo
que não vê caminhos
nem solução
se contenta com momentos
e migalhas de satisfação
abençoa, chuva, abençoa
e os permita voar
sem sair do lugar
a conhecer
testar
e saber
essa maldade
esse mal cheirar
é escolha a embarreirar
a dignidade que faz transformar
abençoa, chuva, abençoa
me lave a alma
libere os caminhos
e os permita voar

Por Bruno Pinheiro (31/08/2012)

Agora…

Padrão

Disseram que o tempo
rebento
Acorrentou o agora
em toda hora
e fez de cada momento
a luz daquele que ora
uma junção cósmica
que chora a liberdade

Apareceu daquele jeito
maneiro
Abocanhou o ar que surgiu
e depois fugiu
Ficou marcado pra sempre
desde que partiu
sem ir a lugar nenhum
é onipresente

É dono do barulho apito
conflito
Assopra o delírio
ao martírio
Rumo da eternidade,
sentido colírio
que é sempre a mesma
e nunca se acaba

Tem no simples e belo
singelo
Agora pra deixar de sofrer
e se perceber
É esfera, espiral e teia
para então ver
os ciclos do eu
aos poucos reciclar

Quer o vento que encerra
e acelera
No papel de espalhar
o medo de amar
segue caminho
O tempo rebento espera
o coração pediu
fugir sem parar de bater

Agora…
Agora…
Agora…

Bruno Pinheiro (16/5/2012)

Uma leitura da sociedade civil brasileira rumo a Rio + 20

Padrão

Toda tentativa de enquadramento fatalmente se debaterá com o sério risco do reducionsimo. Ainda mais uma análise de contexto tão complexo como a atual conjuntura em que se encontram os movimentos sociais em termos de articulação e posicionamentos no processo da Rio + 20.

Muitos fatores, inúmero elementos compõem esta conjuntura e esta mapa certamente deixa dimensões fora de esquadro. É claro, há intersecções entre o campos destacados acima, as fronteiras não são exatamente fronteiras.

Mas há demarcações e, ciente dos riscos, o esforço assim mesmo foi feito, considerando que há conflitos não percebidos e questões não explicitadas por falta de clareza do terreno. Conflitos estes que perpassam o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio + 20 e correm risco de aumentar a fragmentação da luta que faz parte da conjuntura atual.

O objetivo é que esta leitura contribua para a uma melhor visualização de contexto, de forma que tenhamos todos maior clareza de onde se pisa e de com quem se fecham acordos.

Aqui não abordo as limitações que influenciam os posicionamentos dos campos. Pretendo em breve publicar mais elementos da análise que está por trás deste mapa. Por hora, peço ajuda para aperfeiçoar esta leitura.

Palavras ao infinito

Padrão

O brilho do Sol pela vida escorre
a materialidade do viver em ser.
A pertinência do instante
por toda a realidade:
Se cria. Se vive. Se assume.
A inconstância do ser
na plenitude da entrega:
Se sente. Se dói. Se consome.
Não como comódite, mercadoria.
Nem cancerígenos todo dia.
Como queria… como queria.
Respiro, ingiro, mastigo.
Engulo um jardim de fé e poesias
e purifico meu abrigo encantado.
Por mais que pareça doente
o alimento da alma da gente
não desisto de lutar, palavrear, manifestar.
Quando chega a hora, o dia corre
deixando para trás o amanhecer.
Quem não resguarda o infinito
não vivencia o anoitecer.

(Bruno Pinheiro – 14/3/12)