Agora…

Agora…

Disseram que o tempo
rebento
Acorrentou o agora
em toda hora
e fez de cada momento
a luz daquele que ora
uma junção cósmica
que chora a liberdade

Apareceu daquele jeito
maneiro
Abocanhou o ar que surgiu
e depois fugiu
Ficou marcado pra sempre
desde que partiu
sem ir a lugar nenhum
é onipresente

É dono do barulho apito
conflito
Assopra o delírio
ao martírio
Rumo da eternidade,
sentido colírio
que é sempre a mesma
e nunca se acaba

Tem no simples e belo
singelo
Agora pra deixar de sofrer
e se perceber
É esfera, espiral e teia
para então ver
os ciclos do eu
aos poucos reciclar

Quer o vento que encerra
e acelera
No papel de espalhar
o medo de amar
segue caminho
O tempo rebento espera
o coração pediu
fugir sem parar de bater

Agora…
Agora…
Agora…

Bruno Pinheiro (16/5/2012)

Uma leitura da sociedade civil brasileira rumo a Rio + 20

Uma leitura da sociedade civil brasileira rumo a Rio + 20

Toda tentativa de enquadramento fatalmente se debaterá com o sério risco do reducionsimo. Ainda mais uma análise de contexto tão complexo como a atual conjuntura em que se encontram os movimentos sociais em termos de articulação e posicionamentos no processo da Rio + 20.

Muitos fatores, inúmero elementos compõem esta conjuntura e esta mapa certamente deixa dimensões fora de esquadro. É claro, há intersecções entre o campos destacados acima, as fronteiras não são exatamente fronteiras.

Mas há demarcações e, ciente dos riscos, o esforço assim mesmo foi feito, considerando que há conflitos não percebidos e questões não explicitadas por falta de clareza do terreno. Conflitos estes que perpassam o Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio + 20 e correm risco de aumentar a fragmentação da luta que faz parte da conjuntura atual.

O objetivo é que esta leitura contribua para a uma melhor visualização de contexto, de forma que tenhamos todos maior clareza de onde se pisa e de com quem se fecham acordos.

Aqui não abordo as limitações que influenciam os posicionamentos dos campos. Pretendo em breve publicar mais elementos da análise que está por trás deste mapa. Por hora, peço ajuda para aperfeiçoar esta leitura.

Palavras ao infinito

Palavras ao infinito

O brilho do Sol pela vida escorre
a materialidade do viver em ser.
A pertinência do instante
por toda a realidade:
Se cria. Se vive. Se assume.
A inconstância do ser
na plenitude da entrega:
Se sente. Se dói. Se consome.
Não como comódite, mercadoria.
Nem cancerígenos todo dia.
Como queria… como queria.
Respiro, ingiro, mastigo.
Engulo um jardim de fé e poesias
e purifico meu abrigo encantado.
Por mais que pareça doente
o alimento da alma da gente
não desisto de lutar, palavrear, manifestar.
Quando chega a hora, o dia corre
deixando para trás o amanhecer.
Quem não resguarda o infinito
não vivencia o anoitecer.

(Bruno Pinheiro – 14/3/12)

Quem defende a criminalização das drogas…

Quem defende a criminalização das drogas…

Hoje pela manhã saiu no Estadão. Em entrevista, o diplomata Miguel D’arcy, coordenador do secretariado da Comissão Global de Políticas Sobre Drogas falou sobre a posição da Comissão a respeito da famosa “guerra às drogas”.

Pincelei algumas afirmações suas para compartilhar aqui. Não sou eu quem está dizendo, é o Miguel, mas não me canso de repetir estas coisas:

  • “A política repressiva traz consigo um aumento no poder do narcotráfico, violações de direitos humanos e o enfraquecimento da governança democrática”
  • “É preciso mudar a perspectiva moralista e focar em uma visão de saúde pública.”
  • “A revista Lancet, uma publicação científica reconhecida, fez uma hierarquia de drogas lícitas e ilícitas. O tabaco e álcool foram classificados como mais nocivos que a maconha”
  • “É preciso entender que O GRANDE BENEFICIÁRIO DA POLÍTICA PROIBITIVA É O TRAFICANTE”

Em síntese, quem defende a criminalização das drogas… corre junto dos traficantes.

A cidade respira: expressão!

A cidade respira: expressão!

Esta semana apagaram um grafite pintado pelo skatista Anselmo Arruda em Itanhaém, no viaduto da CESP da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Com os dizeres “A pedra que canta também chora” a arte tocou na ferida do governo municipal. Para este carnaval, foram pagos mais de R$ 2 milhões em recursos públicos para a Escola de Samba Pérola Negra levar Itanhaém ao sambódromo com o tema “A pedra que canta também encanta”.

Em outras palavras, trata-se de censura a uma manifestação artística que, como tal, não nega seu posicionamento político. Um posicionamento político não partidário que contrapõe atos da prefeitura, feito em lugar público a fim de estimular reflexões. Isto é guerra de mídia, não se enganem. Opressão á mídia popular.

Escrevi este poema que está a seguir em apoio aos grafiteiros de Itanhaém. Com criatividade e crítica afiada, a galera tem se apropriado de espaços públicos com objetivos claros: mostrar sua arte para surpreender e fazer pensar.

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A cidade respira: expressão!

Ei você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que o seu saber reparte.
Diz o que pensa,
sem medo de se arrepender.
Vender a alma não compensa,
um dia eles vão ver.
Se apegam a privilégios
e temem a realidade.
Oprimem sua criação
porque invejam sua liberdade.
Apagam seus dizeres
porque relatam outras verdades.
Você não é uma besta analítica.
Eles é que são mentes velhas e paralíticas.
Falam frases bonitas, de impacto,
como se o bem comum estivesse intacto.
Ei Você!
Que se expressa com arte.
Ei você!
Que com o meio urbano interage.
Tentarão lhe oprimir
e sua arte diminuir.
Escancare o que é subversão
e pinte por toda a cidade.
Mensagens do coração,
relate outras verdades.
A cidade canta e também chora.
Enquanto uns sambam, um monte implora.
Use o melhor de sua poesia,
mostre que a cidade também respira.
(Bruno Pinheiro – 16-02-2012)

Curta ajuda a popularizar luta pelo direito à comunicação no Brasil

Curta ajuda a popularizar luta pelo direito à comunicação no Brasil

Aquele que não se apropria politicamente dos meios de comunicação, a começar por sua própria língua, como diria Paulo Freire, padece nas mãos dos tiranos.

Nesta criativa produção inspirada no clássico “Ilha das Flores”, do consagrado Jorge Furtado, o Intervozes Coletivo  Brasil de Comunicação apresenta de uma forma extremamente clara a estrutura oligárquica da propriedade dos meios de comunicação do Brasil.

Feito com apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, este curta contribui com a luta pela democratização da comunicação. Com linguagem acessível e utilizando o recursos de colocar a situação na perspectiva do brasileiro comum, ele permite a popularização de um tema que muitas vezes fica restrito aos interessados diretos na produção e transmissão comunicativa.

São só 17min, vale a pena assistir.